quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lembrando Maiakóvski - 07 julho de 1893

"Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor".
(Maiakóvski)


A propósito:


'Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.'(provérbios 14:17)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eu creio, Senhor, mas aumenta minha fé! - II -

A 'cada ida' ao Evangelho acho maravilhoso constatar que Jesus não deixa ninguém de fora; sim, ninguém precisa ser o que não é para ser aceito por Ele. Na verdade Ele sempre soube quem nós somos. Sempre soube que nós somos um povo de dura cerviz, chegando mesmo a suspirar de cansaço por isso...''quanto tempo terei de sofrer-vos?" Definitivamente não somos flor que se cheire impunemente. Mas, exatamente por isso, fica evidenciado o tamanho da entrega, do amor, da 'disposiçao' de Jesus para conosco, fazendo do Evangelho um verdadeiro mapa da alma humana; todas as nossas fraquezas estão lá. Nesse momento, quero me ater apenas a um encontro de Jesus com uma delas: a quase ausência de fé. Quando Jesus indaga a um pai que o procurara para que curasse seu filho, se de fato ele cria que Ele, Jesus, poderia curá-lo, a resposta que ouve é talvez - assim me chega ao coração - uma das respostas mais sinceras e humildes que tenha ouvido: 'eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Acho extremamente tocante e reveladora essa resposta. Ao mesmo tempo que revela fraqueza na fé, revela a decisão pelo autor da fé; é algo difícil de explicar, mas tão fácil de sentir... porque é tão a nossa cara, é tão a cara da fragilidade que nos visita; visita, mas não mais habita diante Daquele que vivendo e compreendendo nossa humanidade, não se nega a realizar a cura entre nós, pois, se o pai teve seu filho curado a despeito de sua fraca fé, certamente é porque o milagre de crer realizou-se tbém em seu coração. Ato simultâneo. É assim que sinto, é assim que penso, e é assim que espero ser curada e fortalecida nas minhas crises de fé, mas não com o autor da fé, que mesmo diante de um 'se Tu podes'...não se detém, ainda que a mesma pergunta seja devolvida por Ele como que a dizer ainda não crês? ou eu é que te pergunto se tu podes crer em mim. Assim, nem uma possível falta de fé pode nos afastar da misericórdia de Jesus que insiste em nos dizer que é na sinceridade, na verdade, que Ele interage conosco. A fé é fato, mas só é fato porque é verdade na fé. Ainda que uma frágil fé. Não há saída (graças a Deus!), estamos abençoadamente cercados pelos braços estendidos de Jesus, antes e definitivamente depois, na Cruz. Portanto, acabaram-se as desculpas; para esse abraço só não corre quem não quer. E mesmo quem não quer costuma receber convites especiais de amor. Nesse caso, a rendição torna-se inevitável. Eu espero todos os dias poder aceitar esse louco e santo convite, ainda que todos os dias eu também venha a dizer:

eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Amém.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Kierkegaard e Abrãao

"...Entretanto encontra o amor seus sacerdotes entre os poetas e, por vezes, ouve-se uma voz que o sabe cantar; mas a fé não tem quem a cante; quem fala em louvor dessa paixão? A filosofia aponta mais longe. A teologia, cheia de ademanes, assoma á janela e, mendigando os favores da filosofia, oferece-lhe os seus encantos. Compreender Hegel deve ser muito dificil, mas a Abraão, que bagatela! Superar Hegel é um prodígio; mas que coisa fácil quando se trata de superar Abraão! Pela minha parte já despendi bastante tempo para aprofundar o sistema hegeliano e de nenhum modo julgo tê-lo compreendido; tenho mesmo a ingenuidade de supor que apesar de todos meus esforços, se não chego a dominar o seu pensamento é porque ele mesmo não chega, por inteiro, a ser claro. Sigo todo este estudo sem dificuldade, muito naturalmente, e a cabeça não se ressente por isso. Mas quando me ponho a refletir sobre Abraão, sinto-me como que aniquilado. Caio a cada instante no paradoxo inaudito que é a substancia da sua vida; a cada momento me sinto rechaçado, e, apesar de seu apaixonado furor, o pensamento não consegue penetrar este paradoxo nem pela espessura dum cabelo. Para obter uma saída reteso todos os músculos: instantaneamente me sinto paralisado..."
http://youtu.be/Xt6m7FyhFeU

segunda-feira, 13 de junho de 2011

segundona


Meu irmão Kierkegaard 
QUANDO VOCÊ estiver lendo esta coluna, estarei em Copenhague, Dinamarca, terra do filósofo Soren Kierkegaard (1813-1855), pai do existencialismo. Ao falarmos em existencialismo, pensamos em gente como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus, tomando vinho em Paris, dizendo que a vida não tem sentido, fumando cigarros Gitanes. O ancestral é Pascal, francês do século 17, para quem a alma vive numa luta entre o 'ennui' (angústia, tédio) e o 'divertissement' (divertimento, distração, este, um termo kierkegaardiano). O filósofo dinamarquês afirma que nós somos “feitos de angústia” devido ao nada que nos constitui e à liberdade infinita que nos assusta. A ideia é que a existência precede a essência, ou seja, tudo o que constitui nossa vida em termos de significado (a essência) é precedido pelo fato que existimos sem nenhum sentido a priori. Como as pedras, existimos apenas. A diferença é que vivemos essa falta de sentido como “condenação à liberdade”, justamente por sabermos que somos um nada que fala. A liberdade está enraizada tanto na indiferença da pedra, que nos banha a todos, quanto no infinito do nosso espírito diante de um Deus que não precisa de nós. O filósofo alemão Kant (século 18) se encantava com o fato da existência de duas leis. A primeira, da mecânica newtoniana, por manter os corpos celestes em ordem no universo, e a segunda, a lei moral (para Kant, a moral é passível de ser justificada pela razão), por manter a ordem entre os seres humanos.
Eu, que sou uma alma mais sombria e mais cética, me encanto mais com outras duas “leis”: o nada que nos constitui (na tradição do filósofo dinamarquês) e o amor de que somos capazes. Somos um nada que ama. A filosofia da existência é uma educação pela angústia. Uma vez que paramos de mentir sobre nosso vazio e encontramos nossa “verdade”, ainda que dolorosa, nos abrimos para uma existência autêntica. Deste “solo da existência” (o nada), tal como afirma o dinamarquês em seu livro “A Repetição”, é possível brotar o verdadeiro amor, algo diferente da mera banalidade. É conhecida sua teoria dos três estágios como modos de enfrentamento desta experiência do nada. O primeiro, o estético, é quando fugimos do nada buscando sensações de prazer. Fracassamos. O segundo, o ético, quando fugimos nos alienando na certeza de uma vida “correta” (pura hipocrisia). Fracassamos. O terceiro, o religioso, quando “saltamos na fé”, sem garantias de salvação. Mas existe também o “abismo do amor”. Sua filosofia do amor é menos conhecida do que sua filosofia da angústia e do desespero, mas nem por isso é menos contundente. Seu livro “As Obras do Amor, Algumas Considerações Cristãs em Forma de Discursos” (ed. Vozes), traduzido pelo querido colega Álvaro Valls, maior especialista no filósofo dinamarquês no Brasil, é um dos livros mais belos que conheço. A ideia que abre o livro é que o amor “só se conhece pelos frutos”. Vê-se assim o caráter misterioso do amor, seguido de sua “visibilidade” apenas prática. Angústia e amor são “virtudes práticas” que demandam coragem. Kierkegaard desconfia profundamente das pessoas que são dadas à felicidade fácil porque, para ele, toda forma de autoconhecimento começa com um profundo entristecimento consigo mesmo. Numa tradição que reúne Freud, Nietzsche e Dostoiévski (e que se afasta da banalidade contemporânea que busca a felicidade como “lei da alma”), o dinamarquês acredita que o amor pela vida deita raízes na dor e na tristeza, afetos que marcam o encontro consigo mesmo. Deixo com você, caro leitor, uma de suas pérolas:
“Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo o que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor… Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber.” Infelizes os que nunca amaram. Nunca ter amado é uma forma terrível de ignorância.

Luiz Felipe Pondé
[Folha de S.Paulo, Ilustrada, 13 de junho de 2011]

domingo, 12 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Cecília e eu

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...

(Cecília Meireles)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

no caminho...

Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado, e disse à minha alma: quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos? E minha alma disse: não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho.
(Walt Whitman)
(Walt Whitman)