A 'cada ida' ao Evangelho acho maravilhoso constatar que Jesus não deixa ninguém de fora; sim, ninguém precisa ser o que não é para ser aceito por Ele. Na verdade Ele sempre soube quem nós somos. Sempre soube que nós somos um povo de dura cerviz, chegando mesmo a suspirar de cansaço por isso...''quanto tempo terei de sofrer-vos?" Definitivamente não somos flor que se cheire impunemente. Mas, exatamente por isso, fica evidenciado o tamanho da entrega, do amor, da 'disposiçao' de Jesus para conosco, fazendo do Evangelho um verdadeiro mapa da alma humana; todas as nossas fraquezas estão lá. Nesse momento, quero me ater apenas a um encontro de Jesus com uma delas: a quase ausência de fé. Quando Jesus indaga a um pai que o procurara para que curasse seu filho, se de fato ele cria que Ele, Jesus, poderia curá-lo, a resposta que ouve é talvez - assim me chega ao coração - uma das respostas mais sinceras e humildes que tenha ouvido: 'eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Acho extremamente tocante e reveladora essa resposta. Ao mesmo tempo que revela fraqueza na fé, revela a decisão pelo autor da fé; é algo difícil de explicar, mas tão fácil de sentir... porque é tão a nossa cara, é tão a cara da fragilidade que nos visita; visita, mas não mais habita diante Daquele que vivendo e compreendendo nossa humanidade, não se nega a realizar a cura entre nós, pois, se o pai teve seu filho curado a despeito de sua fraca fé, certamente é porque o milagre de crer realizou-se tbém em seu coração. Ato simultâneo. É assim que sinto, é assim que penso, e é assim que espero ser curada e fortalecida nas minhas crises de fé, mas não com o autor da fé, que mesmo diante de um 'se Tu podes'...não se detém, ainda que a mesma pergunta seja devolvida por Ele como que a dizer ainda não crês? ou eu é que te pergunto se tu podes crer em mim. Assim, nem uma possível falta de fé pode nos afastar da misericórdia de Jesus que insiste em nos dizer que é na sinceridade, na verdade, que Ele interage conosco. A fé é fato, mas só é fato porque é verdade na fé. Ainda que uma frágil fé. Não há saída (graças a Deus!), estamos abençoadamente cercados pelos braços estendidos de Jesus, antes e definitivamente depois, na Cruz. Portanto, acabaram-se as desculpas; para esse abraço só não corre quem não quer. E mesmo quem não quer costuma receber convites especiais de amor. Nesse caso, a rendição torna-se inevitável. Eu espero todos os dias poder aceitar esse louco e santo convite, ainda que todos os dias eu também venha a dizer:
eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Amém.