sexta-feira, 22 de julho de 2011

Manso e delicado

E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada.
(1 Reis 19:11,12)

à propos: o poder infinito de Deus não está na tempestade,
mas na brisa. (Tagore)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O alzheimer e o poeta

http://mais.uol.com.br/view/11790526
Fé: memória eterna que nos recorda
que somos mais;
muito mais além de tudo isso aquém...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mais Maiakóvski...

O Poeta Operário
Grita-se ao poeta:
"Queria te ver numa fábrica!
O que? Versos? Pura bobagem".
Talvez ninguém como nós ponha tanto coração no trabalho.
Eu sou uma fábrica. E se chaminés me faltam
talvez seja preciso ainda mais coragem.
Sei.
Frases vazias não agradam.
Quando serrais madeira é para fazer lenha.
E nós que somos senão entalhadores

a esculpir a tora da cabeça humana?
Certamente que a pesca é coisa respeitável.
Atira-se a rede e quem sabe? Pega-se um esturjão!
Mas o trabalho do poeta é muito mais difícil.
Pescamos gente viva e não peixes.
Penoso é trabalhar nos altos fornos

onde se tempera o ferro em brasa.
Mas pode alguém acusar-nos de ociosos?
Nós polimos as almas com a lixa do verso.
Quem vale mais: o poeta ou o técnico que produz comodidades?
Ambos! Os corações também são motores.
A alma é poderosa força motriz.
Somos iguais. Camaradas dentro da massa operária.
Proletários do corpo e do espírito.
Somente unidos, somente juntos remoçaremos o mundo,
fá-lo-emos marchar num ritmo célere.
Diante da vaga de palavras levantemos um dique!
Mãos à obra! O trabalho é vivo e novo!
Com os oradores vazios, fora! Moinho com eles!
Com a água de seus discursos que façam mover-se a mó!

Nacos de Nuvens

No céu flutuavam trapos
De nuvem - quatro farrapos:

do primeiro ao terceiro - gente;
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.

do seio azul do céu, pé-ante-
pé, se desgarra um elefante.

Um sexto salta - parece.
susto: o grupo desaparece.

E em seu rasto agora se estafa
o sol - amarela girafa.

(Tradução de Augusto de Campos)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lembrando Maiakóvski - 07 julho de 1893

"Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor".
(Maiakóvski)


A propósito:


'Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.'(provérbios 14:17)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Eu creio, Senhor, mas aumenta minha fé! - II -

A 'cada ida' ao Evangelho acho maravilhoso constatar que Jesus não deixa ninguém de fora; sim, ninguém precisa ser o que não é para ser aceito por Ele. Na verdade Ele sempre soube quem nós somos. Sempre soube que nós somos um povo de dura cerviz, chegando mesmo a suspirar de cansaço por isso...''quanto tempo terei de sofrer-vos?" Definitivamente não somos flor que se cheire impunemente. Mas, exatamente por isso, fica evidenciado o tamanho da entrega, do amor, da 'disposiçao' de Jesus para conosco, fazendo do Evangelho um verdadeiro mapa da alma humana; todas as nossas fraquezas estão lá. Nesse momento, quero me ater apenas a um encontro de Jesus com uma delas: a quase ausência de fé. Quando Jesus indaga a um pai que o procurara para que curasse seu filho, se de fato ele cria que Ele, Jesus, poderia curá-lo, a resposta que ouve é talvez - assim me chega ao coração - uma das respostas mais sinceras e humildes que tenha ouvido: 'eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Acho extremamente tocante e reveladora essa resposta. Ao mesmo tempo que revela fraqueza na fé, revela a decisão pelo autor da fé; é algo difícil de explicar, mas tão fácil de sentir... porque é tão a nossa cara, é tão a cara da fragilidade que nos visita; visita, mas não mais habita diante Daquele que vivendo e compreendendo nossa humanidade, não se nega a realizar a cura entre nós, pois, se o pai teve seu filho curado a despeito de sua fraca fé, certamente é porque o milagre de crer realizou-se tbém em seu coração. Ato simultâneo. É assim que sinto, é assim que penso, e é assim que espero ser curada e fortalecida nas minhas crises de fé, mas não com o autor da fé, que mesmo diante de um 'se Tu podes'...não se detém, ainda que a mesma pergunta seja devolvida por Ele como que a dizer ainda não crês? ou eu é que te pergunto se tu podes crer em mim. Assim, nem uma possível falta de fé pode nos afastar da misericórdia de Jesus que insiste em nos dizer que é na sinceridade, na verdade, que Ele interage conosco. A fé é fato, mas só é fato porque é verdade na fé. Ainda que uma frágil fé. Não há saída (graças a Deus!), estamos abençoadamente cercados pelos braços estendidos de Jesus, antes e definitivamente depois, na Cruz. Portanto, acabaram-se as desculpas; para esse abraço só não corre quem não quer. E mesmo quem não quer costuma receber convites especiais de amor. Nesse caso, a rendição torna-se inevitável. Eu espero todos os dias poder aceitar esse louco e santo convite, ainda que todos os dias eu também venha a dizer:

eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!
Amém.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Kierkegaard e Abrãao

"...Entretanto encontra o amor seus sacerdotes entre os poetas e, por vezes, ouve-se uma voz que o sabe cantar; mas a fé não tem quem a cante; quem fala em louvor dessa paixão? A filosofia aponta mais longe. A teologia, cheia de ademanes, assoma á janela e, mendigando os favores da filosofia, oferece-lhe os seus encantos. Compreender Hegel deve ser muito dificil, mas a Abraão, que bagatela! Superar Hegel é um prodígio; mas que coisa fácil quando se trata de superar Abraão! Pela minha parte já despendi bastante tempo para aprofundar o sistema hegeliano e de nenhum modo julgo tê-lo compreendido; tenho mesmo a ingenuidade de supor que apesar de todos meus esforços, se não chego a dominar o seu pensamento é porque ele mesmo não chega, por inteiro, a ser claro. Sigo todo este estudo sem dificuldade, muito naturalmente, e a cabeça não se ressente por isso. Mas quando me ponho a refletir sobre Abraão, sinto-me como que aniquilado. Caio a cada instante no paradoxo inaudito que é a substancia da sua vida; a cada momento me sinto rechaçado, e, apesar de seu apaixonado furor, o pensamento não consegue penetrar este paradoxo nem pela espessura dum cabelo. Para obter uma saída reteso todos os músculos: instantaneamente me sinto paralisado..."
http://youtu.be/Xt6m7FyhFeU