domingo, 11 de outubro de 2009

Cecília Meireles

“De um lado, a eterna estrela,
e do outro a vaga incerta,
meu pé dançando pela
extremidade da espuma,

E meu cabelo por uma
Planície de luz deserta.
Sempre assim:
de um lado, estandartes do vento...
do outro, sepulcros fechados.
E eu me partindo, dentro de mim
para estar no mesmo momento
de ambos os lados.
Se existe a tua Figura,
se és o Sentido do Mundo,
deixo-me, fujo por Ti,
nunca mais quero ser minha!
(Mas, neste espelho, no fundo
desta fria luz marinha, como dois baços peixes,
nadam meus olhos à minha procura...
Ando contigo—e sozinha.
Vivo longe—e acham-me aqui...)
Fazedor da minha vida, não me deixes!
Entende a minha canção!
Tem pena do meu murmúrio, reúne-me em Tua mão!
Que eu sou gota de mercúrio, dividida, desmanchada pelo chão...”

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