quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Antena delicadíssima

É tua esta cantiga, meu irmão mendigo.
Meu irmãozinho jornaleiro, bom dia.
E tu, varredor de ruas, ouve esta canção.
Carvoeiro, saxofonista, guarda-chaves:
-é esta a oração da minha solidariedade.


Não, meu irmãos, não é comício eleitoral,
é o desabafo dessa onda de ternura que me invade,
e transborda pelos olhos, ao pensar nas vossas vidas miseráveis,
em vossas vidas anônimas em que ninguém se fixa.

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E só o que eu tenho, e que vós não tendes,
- que consolo triste! -
é esta sensibilidade que às vezes mesmo os que as carregam desconhecem,
esta sensibilidade que é uma antena delicadíssima,
captando pedaços de todas as dores do mundo,
e que me fará morrer de dores que não são minhas

.
( Trechos do poema Fraternidade de Newton Braga)

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