sábado, 6 de dezembro de 2008

Boas-vindas a dezembro

Queria iniciar dezembro escrevendo algo que me chegou apenas como conteúdo, porém, sem forma, sem a fôrma para apresentá-lo; náo tendo conseguido ainda moldá-lo como poema ou como salmo,apenas exponho a idéia.

Matutava depois de ouvir noticiários de tragédias - uma novela da vida real que assistimos todos os dias - e me questionava de como é pouco dizer 'obrigada meu Deus' por ter tanto, em meio a tanta dor; daí me dei conta que tudo que posso ofertar em gratidão já me foi dado. Ele já me ofertou tudo, posso, no máximo ofertar o mesmo presente recebido, o que já é poético, belo, se em humildade; mas ainda assim pouco,muito pouco.

Veio-me então a idéia de que existem coisas que Deus não nos deu,mas que foram adquiridas por nós,e a isso nos apegamos como nosso maior tesouro, do qual dificilmente queremos abrir mão,e é exatamente isso que devemos ofertar. Quais são esses 'tesouros'? nossa vaidade, nossa justiça própria, nossa arrogância disfarçada de humildade, nossos litígios interiores que tiram nossa paz e que num mecanismo vicioso vira 'meu bem, meu mal'.

Coincidentemente vivia um momento desses. Cheia de razão 'precisava' revidar algo que me incomodava. Andei rosnando em círculos legitimada por todas 'as razões', até ser presenteada com essa 'matutagem', coisa de quem não tem o que fazer e muito quer aprender, já sabendo de antemão que muito pouco saberemos.

Tente abrir mão de algo que lhe parece imprescindível sentir, reagir, se vangloriar ou,diria até de 'se defender'. Aí, vocé verá que vocé tem algo de verdadeiramente seu, obra sua, algo genuinamente seu que vocé pode ofertar, e assim, ainda que por alguns segundos, saberá quão livres e verdadeiramente gratos podemos ser, pois estaremos entregando o que de fato nos é pedido. Experimente.
Eu experimentei, e gostei. Que Ele me permita continuar aceitando o desafio.


Somente um Deus tão misteriosamente maravilhoso ficaria contente em receber nosso lixo para depois nos devolver pérolas.

Um dezembro de renovações, tentativas e paz a todo e qualquer caminhante por estas plagas.

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